
Barbara, como de costume, deixava sua cadeira laboral às 12hrs e caminhava até a sua casa. Gostava de andar, pois trocava olhares com as pessoas, pensava sobre a cidade, o tempo, as leis do movimento... Sentia-se humana.
Como de costume, a libido masculina se manifestava na rua de variadas formas, por gestos e palavras que na maioria das vezes nem era por ela percebidos. Barbara pertencia a outro espaço.
Mas hoje, algo de sublime aconteceu. Ao perceber um olhar fixo, daqueles que superam os 5 segundos recomendado pelos guias de paquera, deixou-se levar. Olhou, como quem observa lojas de roupa a longa distancia. Olha o todo, não repara as peças. Mas, como a primeira impressão intrigou, ela resolveu analisar mais profundamente, e de súbito percebeu, como essa pessoa parece com...com...com o Mateus. Sim, Mateus.
Mateus era um menino que ela conhecia ha bastante tempo. Não tanto tempo quanto se imagina quando diz “bastante tempo”, mas era suficiente para dizer que não era uma relação nova.
Mateus era dono de uma pele lisa e macia, sem pelos grossos, sem agressividade. Era encapado por uma cor de pingado, sendo o café amargo e forte. Com um olhar de criança, de eterno descobrimento, encantava as meninas que o conhecia. Encantava as meninas bem meninas, loiras e com pó na face. Mas também encantava aquelas desligadas, que voltam para o mundo apenas por uma boa conversa. É, Mateus também conseguia manter uma boa conversa.
E aquele olhar, aquele rosto, aquele momento a fez pensar nele. Nela e nele. Nela com ele. Neles. Eles!
Pensou que sentia saudade. Que sentia falta.
Mas aos poucos foi dialogando mais um bocadinho com as palavras, com as lembranças, juntando, separando, recortando. Inspirou e segurou a respiração, pensou no que sentia quando lhe faltava ar. Percebeu que não era saudade, de algo que passou, por exemplo. E que não era falta. Falta dele, disto ou daquilo...
Era apenas uma vontade. Vontade de ver aquele rosto, de trocar aquela boa conversa, dar um abraço e dizer. Vontade que nunca é apenas, é tudo. É o combustível. É a força que move. É exatamente o tudo que os liga. A vontade de saciar as vontades à vontade!
Soltou o ar. Relaxou. Guardou aquela boa sensação que Mateus lhe trazia e voltou a caminhar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário