quinta-feira, 20 de maio de 2010

Acho tão previsível.


Eu também recebi uma ligação, dizendo que o velório seria hoje. Mas não sei se vou, não gosto de velórios. E depois terei que ir de ônibus, naquele horário de pico, onde os transportes coletivos ficam parecendo Auschwitz e eu não gosto de ônibus lotado. Sem esquecer do trânsito na hora do rush. Bem lembrado, eu não gosto de trânsito. Outra alternativa seria ir de moto, mas está fazendo muito frio e eu não gosto de andar de moto no frio. Além do mais, não tomei banho hoje de manhã, pois quando acordei fazia 10° e como é ruim acordar no frio. Eu não gosto de acordar com este clima. E muito menos de tomar banho neste clima. Então terei que lavar meu cabelo antes de sair e não terei tempo para secá-lo ou esperar um pouco para não sair com ele escorrendo. E eu não gosto de sair com o cabelo molhado, à noite, com frio. Mas posso me organizar e passar no banco no meu horário de almoço e sacar dinheiro para pegar um táxi. Apesar que instituição bancária na hora do almoço é um caos, geralmente todos têm a mesma idéia. A questão é que eu não gosto de banco, muito menos na hora do almoço. Acho que nem os bancários gostam de trabalhar lá. Pensando bem, eu também não gosto de trabalhar. Mas afinal, quem é que gosta?

quarta-feira, 19 de maio de 2010

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O inferno são os outros!






Caminho por uma fase sartreana. Proposital por um lado, atraída por outro.
Comecei a ler por ter a facilidade de encontrá-lo a poucos passos do meu aposento. Meu companheiro de casa faz coleção de livros. Sofre de rinite, mas abre um sorriso ao olhar para a poeira juntada. Porém, eu não contava com a identificação que teria com o existencialismo quando colocado assim, em diálogos.
Assim, comecei com Náusea, passei por A Idade de Razão e acabo de ler Entre Quatro Paredes.
Este último escrito, que se apresenta em forma de peça teatral, é de uma sensibilidade intrigante. Em poucas palavras, direto e simples, Sartre desvenda sua famosa frase: “O inferno são os Outros!”
A história se passa no inferno. Mas longe das descrições dantescas, com fogo, tortura, carrasco, o inferno de Sartre são, literalmente, os outros. É um espaço vazio, sem camas, escova de dente e espelhos. A luz não se apaga, é sempre dia. Um eterno ver e ser visto. Não há sono, nem fome e nenhuma possibilidade de fuga do momento presente. São apenas três humanos, ou ausentes, ou desencarnados, ou qualquer outro nome. A religião aqui não importa, a sensibilidade está na impossibilidade de fuga. No viver (?) constantemente, às claras e para sempre na presença de mais duas, apenas duas, pessoas.
Não há espelho. A afirmação que ele nos provoca, quando olhamos aquilo que pensamos ser e obtemos a confirmação, não é mais possível. A confirmação vem dos outros. A imagem é capturada somente pelas retinas. É lá, no olhar do outro, que existimos. E é conforme a opinião do outro que nos posicionamos.
E não há descanso, sonhos, fantasia que nos levem para outro momento. Só há aqui e agora. A persona não consegue ser sustentada por muito tempo. Em pouco, brota uma nudez psíquica, onde os crimes, as falhas, os defeitos são apresentados.
A higiene que faz o convívio humano possível, apesar de não mais necessária, faz falta. Cadê a escova de dente? Como viver sem ela? Apegos tidos como pequenos se tornam um conflito. É a nudez psíquica e física.

Afinal, pra que fogo?

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Náusea



Os objetos não deveriam tocar, já que não vivem. Utilizamo-los, colocamo-los em seus lugares, vivemos no meio deles: são uteis e nada mais. E a mim eles tocam – é insuportável. Tenho medo de entrar em contato com eles exatamente como se fossem animais vivos.
Agora vejo: lembro-me melhor do que senti outro dia, junto ao mar, quando segurava aquela pedra. Era uma espécie de enjoo adocicado. Como era desagradável! E isso vinha da pedra, tenho certeza, passava da pedra para as minhas mãos. Sim, é isso, é exatamente isso: uma espécie de náusea nas mãos. (SARTRE, p.23)

Um pouco de Bárbara.




Barbara, como de costume, deixava sua cadeira laboral às 12hrs e caminhava até a sua casa. Gostava de andar, pois trocava olhares com as pessoas, pensava sobre a cidade, o tempo, as leis do movimento... Sentia-se humana.
Como de costume, a libido masculina se manifestava na rua de variadas formas, por gestos e palavras que na maioria das vezes nem era por ela percebidos. Barbara pertencia a outro espaço.
Mas hoje, algo de sublime aconteceu. Ao perceber um olhar fixo, daqueles que superam os 5 segundos recomendado pelos guias de paquera, deixou-se levar. Olhou, como quem observa lojas de roupa a longa distancia. Olha o todo, não repara as peças. Mas, como a primeira impressão intrigou, ela resolveu analisar mais profundamente, e de súbito percebeu, como essa pessoa parece com...com...com o Mateus. Sim, Mateus.
Mateus era um menino que ela conhecia ha bastante tempo. Não tanto tempo quanto se imagina quando diz “bastante tempo”, mas era suficiente para dizer que não era uma relação nova.
Mateus era dono de uma pele lisa e macia, sem pelos grossos, sem agressividade. Era encapado por uma cor de pingado, sendo o café amargo e forte. Com um olhar de criança, de eterno descobrimento, encantava as meninas que o conhecia. Encantava as meninas bem meninas, loiras e com pó na face. Mas também encantava aquelas desligadas, que voltam para o mundo apenas por uma boa conversa. É, Mateus também conseguia manter uma boa conversa.
E aquele olhar, aquele rosto, aquele momento a fez pensar nele. Nela e nele. Nela com ele. Neles. Eles!
Pensou que sentia saudade. Que sentia falta.
Mas aos poucos foi dialogando mais um bocadinho com as palavras, com as lembranças, juntando, separando, recortando. Inspirou e segurou a respiração, pensou no que sentia quando lhe faltava ar. Percebeu que não era saudade, de algo que passou, por exemplo. E que não era falta. Falta dele, disto ou daquilo...
Era apenas uma vontade. Vontade de ver aquele rosto, de trocar aquela boa conversa, dar um abraço e dizer. Vontade que nunca é apenas, é tudo. É o combustível. É a força que move. É exatamente o tudo que os liga. A vontade de saciar as vontades à vontade!
Soltou o ar. Relaxou. Guardou aquela boa sensação que Mateus lhe trazia e voltou a caminhar.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

A doce Tiê







"A cantora Tiê, 30 anos, lançou seu primeiro disco, “Sweet Jardim”, inteiramente autoral, pela Warner Music em 2009. Depois de turnês nacionais e internacionais do disco – que passou por países como França, Inglaterra, Alemanha, Estados Unidos, Uruguai (este último no ciclo "Latinoamericana: música para la integración"), e por cidades brasileiras como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília, Recife (Festival Coquetel Molotov) – a cantora garante uma data no Rock in Rio Lisboa. A apresentação será em maio. As novidades não param por aí, Tiê teve sua faixa Assinado Eu indicada pela Rolling Stone Brasil como uma das 25 melhores de 2009"

Com essa voz que abraça, acolhe, adoça, Tiê tem encatado meus dias!