Nada melhor que dormir.
Sempre gostei das horas que passam enquanto roço meu corpo pelos cantos da cama.
Você diz que o melhor é acordar cedo pra ter tempo de dormir depois. Acho estranho, mas entendo o teor deste gosto invertido. Por fim, sempre lhe questiono pra não ter que reformular uma das frases mais típicas do meu eu. Eu gosto de dormir e dormir, sem pausas.
Mas me pareceu melancólico pensar que hoje, que ontem e que amanhã, enquanto você viaja pra longe, que de tão longe me perco no meu mapa múndi imaginário, a hora mais feliz dos meus dias têm sido a hora em que me permito dormir.
Pois é somente aí que não vejo mais nada, que o tempo passa mais rápido, sem precisar de muito esforço.
Eu sou forte, repito, mas descobri que sentir o desconforto atrapalhado do amor é mais.
E acima de todos os mais, está a falta que você desenha em mim.
E dia a dia vou dialogando com a minha esquizofrenia, gostando de cruzar com você em cada passo que dou. Em cada detalhe tão pequeno de nós dois, afinal parece que o Robertão anda me entendendo nesses últimos dias.
E quando a sua imagem me toma o corpo e desejo tocar os meus pêlos, enquanto imagino formas de me inundar, a vontade é de beijar toda a sua carne e sentir o cheiro do seu suor. Pulsa o desejo de intensamente lamber o seu gosto e gemer pra você. Dançar o meu corpo sobre o seu e finalmente gemer por você.
“Que culpa a gente tem de ser feliz?”
E dou risada quando vejo que na tentativa de lhe escrever, apagando e escrevendo estas linhas por me achar clichê, não consigo fugir de certas expressões.
Não consigo não falar da cama que de repente ficou tão grande, do lençol amassado por não ter sentido arrumá-lo, da sua calça no mesmo lugar todos dias, indício de que seus pernas caminham por outras portas que não as daqui.
Mas além de toda melancolia do disco riscado que compreendo enquanto a rede balança, enquanto chove lá fora, queria lhe dizer algo maior.
Queria lhe dizer que esta tristeza que lhe falo agora tem sempre um sorriso escondido.
Que é como o mar e a areia. Um deles vai embora e o outro aparece. Um vai. Outro vem.
É dizer que a certeza do meu amor por você cresce de maneira desenfreada, que a vontade de ser sua, somente sua, é a flor que quero cultivar com as duas mãos. Colocar água todos os dias e vê-la tomar conta do jardim inteiro.
Que o que queria mesmo que soubesse, é que este amor é tudo. Tudo aquilo que não sonhei, pois não sabia que era possível. Que me torce na queda de braço para depois me abraçar e dizer que juntos, distraídos, nós conseguimos. Juntos construímos a coisa mais linda das mais lindas que já conhecemos.
Vamos vencer estes dias para viver o resto daqueles que estão destinados a nós dois.
Falta pouco, depois do tempo que já esperei para lhe encontrar.
Falta pouco.
quinta-feira, 12 de maio de 2011
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